Eu vejo essa tendência como um sinal dos tempos. O fenômeno “undercosumption core” soma mais de 10 mil vídeos no TikTok e coloca jovens de 20 a 30 anos no centro de um novo cenário social.
Como especialista, observo que plataformas e performance ativam um movimento que mistura prática real e narrativa — do Project Pan ao vídeo de Alice Muller com 105,3 mil visualizações.
Há um fato claro: 1 em cada 3 usuários afirma ter comprado algo por influência das redes sociais. Isso muda a vida do consumidor e o mundo das marcas.
Vejo microgestos — usar o mesmo tênis por dois anos, esgotar um creme — que viram trend e reprogramam hábitos. 🧭
Minha ideia é traduzir dados em escolhas possíveis para empresas e pessoas. No curto tempo, essa convergência entre comportamento e plataformas cria janelas de transformação.
Do “undercosumption core” ao Project Pan: como a trend explodiu nas redes sociais
Nas últimas semanas, notei como formatos simples no TikTok aceleraram uma mudança de prática. A plataforma soma mais de 10 mil vídeos que transformam menos consumo em sinal de pertencimento.
TikTok como catalisador
TikTok: alcance, engajamento e a lógica dos vídeos curtos
Como pesquisador, observo que a rede social premia vídeos curtos, repetíveis e fáceis de comparar. Esse formato torna um hábito doméstico — usar o mesmo tênis por dois anos — um conteúdo que engaja e se espalha.
Project Pan no Brasil
Finalizar antes de comprar e o apelo anti-desperdício
No Brasil, o project pan virou rotina: separar produtos, usar até a última gota e celebrar os “empties”. Um exemplo: Alice Muller abriu embalagens para aproveitar o restinho e somou 105,3 mil visualizações.
Entre estética e realidade
Minimalismo aspiracional x realidade de baixa renda
A especialista Lilian Carvalho lembra que o discurso do “não consumo” pode virar distinção de classe. Parte da audiência vive essa prática por necessidade, não por escolha estética — e isso muda a conversa sobre justiça.
Pressão, pertencimento e gatilhos
Pressão social, pertencimento e gatilho das compras por escassez
Pressão de escassez nas redes sociais ativa impulsos de compra. Casos como Heloísa mostram gastos e ansiedade diante de lançamentos (Rare Beauty a R$169) e alertam para risco de endividamento.
“A melhor compra pode ser usar o que você já tem em casa.”
- Minha recomendação: lista de desejos, espera de 1–3 semanas e bloqueio temporário de anúncios.
- Publicidade responsável ajuda a reduzir impulsos e proteger orçamento familiar.
Consumo consciente viral no Brasil hoje: comportamento dos jovens e tensões de classe
Entre feeds e prateleiras, a geração jovem redesenha o sentido dos objetos.
Identidade em fluxo
Identidade em fluxo, “menos consumo” e o papel da Geração Z
Michel Alcoforado descreve a identidade dos jovens como movimento: é mais um estou do que um sou. Eles testam peças, ideias e narrativas em vídeos e medem resultados no dia a dia.
O Instituto Akatu propõe uma régua prática: comprar com critério, estender o uso e planejar o descarte. Essa sequência ajuda a transformar intenção em prática sem moralizar.

Dados da WGSN e Box1824 mostram que a Gen Z mudou de visão após a pandemia e se engaja em causas. No Brasil, porém, a realidade socioeconômica cria tensões: reduzir pode ser escolha para alguns e necessidade para outros.
“Transformar necessidade em processo permite autonomia e reduz desperdício.”
- Jovens usam vídeos para experimentar e iterar escolhas.
- Na moda, há tendência de peças versáteis que duram anos.
- A prática gera menos descarte e mais reparo, doação e upcycling.
| Fase | Prática | Benefício |
|---|---|---|
| Compra | Lista de critérios e espera | Menos compra impulsiva |
| Uso | Extensão da vida útil, reparo | Economia e menos lixo |
| Descarte | Doação, upcycling | Impacto social e ambiental |
Minha ideia: transformar limites em método. Defina metas mensais de uso, registre aprendizados e ajuste o carrinho com fatos — assim a redução vira ferramenta de liberdade, não de culpa. 🧠
Impacto nas marcas e no mercado: quando menos consumo também vende
Marcas hoje enfrentam uma nova lógica: vender menos e fidelizar mais. Vejo empresas que transformam durabilidade em diferencial técnico e comercial. A Stanley é um exemplo claro: comunica resistência e ainda lança novidades sem empurrar acúmulo.

Marcas em cena: inovação, durabilidade e o caso das garrafas “que duram”
Tratar vida útil como inovação gera valor. Produto com garantia, manual de cuidado e suporte reduz devoluções e cria lealdade. Consumidores relatam manter a mesma garrafa por mais de um ano e isso vira argumento de venda.
Publicidade responsável: transparência, moderação e orientação financeira
Alison Santana propõe avisos sobre saúde financeira e moderação. Marcas que declaram publi, explicam custo total e frequência de uso protegem reputação.
Do clique ao carrinho: mitigar impulsos, listas de desejo e curadoria
No dia a dia, táticas simples funcionam: lista de desejos, janela de espera e filtragem de anúncios reduzem compras por impulso.
- Recomendo que empresas posicionem upgrades como melhorias reais, não só estética.
- Project Pan pode ser parceria editorial: ensine a esgotar e, depois, ofereça substitutos melhores.
- Compartilhe métricas de performance (durabilidade, reparo, reciclabilidade) para demonstrar impacto.
“Menos compra não significa menos mercado; significa mercado com mais sentido.”
Conclusão
Fecho este texto defendendo uma ideia prática: trends só valem se melhoram o dia a dia das pessoas em casa e reduzem gastos sem excluir quem tem menos.
Na prática, a regra é clara: use o produto até o fim, adie a compra por alguns dias e compare alternativas. Isso corta compras por impulso e diminui desperdício.
Como especialista, recomendo três focos para o próximo ano: enxugar o número de produtos abertos, planejar compras por categoria e medir a redução mês a mês.
Para marcas, menos consumo é convite para repensar portfólio, serviço e conteúdo. Projetos como project pan e guias de uso transformam vídeos em valor real para o consumidor. 🌍

